quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

OS FLUÍDOS

Definições:

Segundo o Dicionário;

Popularmente falando;

De acordo com o entendimento Espírita.


a) Segundo o Novo Dicionário da Língua Portuguesa - Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, encontramos que: Fluido – é um termo genérico empregado para traduzir a característica das substancias líquidas ou gasosas, ou de substância que corre ou se expande à maneira de um líquido ou um gás.

(Obs. A palavra fluido por ser um ditongo (encontro de uma vogal com uma semivogal ou de uma semivogal com uma vogal – são inseparáveis), logo a pronúncia correta é FLUI – DO (e não flu-í-do). Exemplos de outros ditongos: boi, pai, mui–to, sau-na, cir-cui-to, gra-tui-to, for-tui-to,


b) Popularmente falando – O fluido pode ser designado como a fase não sólida da matéria, a qual pode se apresentar em quatro subfases: pastosa, líquida, gasosa e radiante, tendo sido esta última apresentada à Ciência, pelo inglês Sir William Crookes.

(observamos que, atualmente, a Ciência já considera até sete subfases para a matéria).



De acordo com o entendimento Espírita – Fluido é tudo quanto importa à matéria, da mais grosseira à mais diáfana, variando em multiplicidade infinita a fim de atender a todas as necessidades físicas, químicas e inclusive vitais da matéria, bem como de sua intermediação entre os reinos material e espiritual. É o fluido não apenas algo que se move, a exemplo dos líquidos e dos gases, mas a própria essência desses mesmos líquidos e gases e de todas as matérias, inclusive aquelas inapreciáveis por nossos instrumentos físicos ou mesmo psíquicos.

Nos ensina Léon Denis, no seu Livro "No Invisível", que a matéria tornada invisível, imponderável, se encontra sob formas cada vez mais sutis, que denominamos fluidos. A medida que se rarefaz, adquire novas propriedades e uma capacidade de irradiação sempre crescente; torna-se uma das formas de energia.

O Espírito André Luiz, no seu Livro "Evolução em dois Mundos", define segundo critérios mais extensivos, que o fluido dessa ou daquela procedência, vem a ser um corpo cujas moléculas cedem invariavelmente à mínima pressão, movendo-se entre si, quando retidas por um agente de contenção, ou separando-se quando entregues a si mesmas.


Ä Universo em que vivemos:

O Universo em que vivemos se apresenta sob duas formas:


Forma visível, material ou tangível: É o espaço em que nós, hoje, Espíritos encarnados estamos vivendo.


Forma Invisível, imaterial ou intangível: Espaço ou Mundo, em que habitam os seres desencarnados ou Espíritos; aqueles que perderam o seu invólucro material e retornaram ao mundo de origem.

O mundo imaterial começa justamente onde o visível e material termina, porque em a Natureza, tudo segue um plano perfeito de continuidade. No Universo visível e material os fenômenos ocorrem dentro de certos limites, segundo determinadas leis.

Como já vimos, no mundo visível a matéria se nos apresenta sob vários estados ou subfases reconhecidos pela ciência (sólido, pastoso, líqüido, gasoso e radiante), além de outros, já reconhecidos, como anteriormente mencionado.

Logo, podemos constatar que, em nosso chamado "Universo Visível", já existem determinados estados da matéria em condições de invisibilidade para os nossos cinco sentidos. No entanto, aquilo que não podemos perceber normalmente pêlos sentidos que somos dotados, o fazemos utilizando determinados instrumentos, ou mesmo, cálculos matemáticos.

No Universo invisível e imaterial ocorrem igualmente fenômenos que também seguem leis que nos são reveladas pêlos seres que nele habitam.

A Ciência resolveu a questão dos milagres que mais particularmente derivam do elemento material, quer explicando-os, quer lhes demonstrando a impossibilidade, em face das leis que regem a matéria. Mas, os fenômenos em que prepondera o elemento espiritual, esses, não podendo ser explicados unicamente por meio das leis da Natureza, escapam às investigações da Ciência. Tal a razão por que eles, mais do que os outros, apresentam os caracteres aparentes do maravilhoso. É, pois, nas leis que regem a vida espiritual que se pode encontrar a explicação dos milagres dessa categoria.


Ä FCU – Fluido Cósmico Universal:

De acordo com "A Gênese" (Quinta obra da Codificação/1.868 - cap. XIV - itens 1 e 2), o Fluido Cósmico Universal é a matéria elementar primitiva, cujas modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza".

O mundo imaterial, invisível ou espiritual como é costumeiramente chamado, também é composto de alguma coisa, de algum material, de alguma substância, de algum elemento - é composto de fluidos. Tais fluidos tem uma estrutura, uma forma habitual de agregação, de composição e, de acordo com as variações sofridas nessa estrutura, apresentam propriedades especiais e diferentes das dos demais. Portanto, há vários estados e várias formas pêlos quais os fluidos se apresentam, cada um com propriedades específicas, mas todos se originando de um elemento primordial - o Fluido Cósmico Universal.

Ele é a própria matéria primitiva, da qual derivam todas as demais formas de matéria e energias. Preenche todos os vazios do espaço, estando presente em toda a natureza. Por ser o elemento gerador de todo o restante das manifestações materiais e energéticas, guarda similaridade e afinidade com estas, podendo, muito facilmente, sob a ação de uma vontade, interagir com todas, inclusive mudando suas propriedades físicas, temporária ou permanentemente.

Como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos:



Eterização ou Imponderabilidade:

É o que se pode considerar de "primitivo estado normal".

No estado de eterização, o Fluido Cósmico Universal não é uniforme; sem deixar de ser etéreo, sofre modificações tão variadas em gênero e mais numerosas talvez do que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem fluidos distintos que, embora procedentes do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais e dão lugar aos fenômenos peculiares ao mundo invisível.

Dentro da relatividade de tudo, esses fluidos tem para os Espíritos, que também são fluídicos, uma aparência tão material, quanto a dos objetos tangíveis para os encarnados e são, para eles, o que são para nós as substancias do mundo terrestre. Eles os elaboram e combinam para produzirem determinados efeitos, como fazem os homens com os seus materiais, ainda que por processos diferentes.

Os espíritos utilizam-se do FCU para realização de muitas ações, inclusive como "matéria prima" para suas intervenções sobre a matéria, no plano espiritual e no plano material. Os espíritos utilizam o FCU como "amálgama" para compatibilizar a utilização conjunta de diferentes tipos de fluidos, energias e mesmo matéria, graças a afinidade do FCU com todos, por ser o elemento primitivo.

A possibilidade de manipulação consciente do FCU é proporcional ao grau de evolução do espírito, pois lá, como neste mundo, somente aos Espíritos mais esclarecidos é dado compreender o papel que desempenham os elementos constitutivos do mundo onde eles se acham. Os ignorantes do mundo invisível são tão incapazes de explicar a si mesmos os fenômenos a que assistem e para os quais muitas vezes concorrem maquinalmente, como os ignorantes da Terra o são para explicar os efeitos da luz ou da eletricidade, para dizer de que modo é que vêem e escutam.

Os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção dos nossos sentidos, feitos para perceberem a matéria tangível e não a matéria etérea. Alguns há, pertencentes a um meio diverso a tal ponto do nosso, que deles só podemos fazer idéia mediante comparações tão imperfeitas como aquelas mediante as quais um cego de nascença procura fazer idéia da teoria das cores.

Como vemos é através do corpo que percebemos os fenômenos do nosso meio material; somente em condições especiais é que o espírito encarnado, alcançando uma maior liberdade de ação, percebe as ocorrências do mundo espiritual.



Materialização ou de Ponderabilidade:

Neste estado, podemos considerar o Fluido Cósmico Universal, como um estágio consecutivo do primeiro (eterização), e o percebemos através dos diferentes estados da matéria.

Cada um desses dois estados dá lugar, naturalmente, a fenômenos especiais: ao segundo pertencem os do mundo visível e ao primeiro os do mundo invisível. Uns, os chamados fenômenos materiais, são da alçada da Ciência propriamente dita; os outros, qualificados de fenômenos espirituais ou psíquicos, porque se ligam de modo especial à existência dos Espíritos, cabem nas atribuições do Espiritismo. Como, porém, a vida espiritual e a vida corporal se acham incessantemente em contato, os fenômenos das duas categorias muitas vezes se produzem simultaneamente. No estado de encarnação, o homem somente pode perceber os fenômenos psíquicos que se prendem à vida corpórea; os do domínio espiritual escapam aos sentidos materiais e só podem ser percebidos no estado de Espírito.


Ä Fluidos Espirituais:

Ainda de acordo com "A Gênese", cap. XIV, itens 4 e 5, não é rigorosamente exata a qualificação de Fluidos Espirituais, porque, na verdade, eles são matéria, embora extremamente quintenssenciada.

De realmente espiritual, somente o Espírito ou Princípio Inteligente.

Recebem essa denominação "Fluidos Espirituais", por comparação, e, sobretudo, pela afinidade que eles guardam com os Espíritos. Diz-se Fluidos Espirituais, no sentido de matéria do Mundo Espiritual.

Os Fluidos Espirituais, que são um dos estados do Fluido Cósmico Universal, são a bem dizer:

- A atmosfera dos seres Espirituais;

- O elemento donde eles tiram os materiais sobre que operam;

- O meio onde ocorrem os fenômenos especiais, perceptíveis à visão e audição dos Espíritos, mas que escapam aos sentidos carnais;

- O meio onde se forma a luz peculiar ao Mundo Espiritual, diferentes pelas causas e pêlos efeitos, da luz ordinária;

- E, finalmente, o veículo do pensamento como o ar o é do som.


Ä Atuação dos Espíritos sobre os Fluidos Espirituais:

Os Espíritos atuam sobre os Fluidos Espirituais, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade.

Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizando com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual.

Algumas vezes, essas transformações resultam de uma intenção; doutras, são produto de um pensamento inconsciente. Basta que o Espírito pense uma coisa, para que esta se produza, como basta que modele uma ária, para que esta repercuta na atmosfera.

Cabe neste momento, observar-se, que há uma conseqüência bastante séria para os encarnados a ação dos Espíritos sobre os Fluidos Espirituais, pois sendo esses fluidos o veículo do pensamento e podendo os pensamentos modificar-lhes as propriedades, é claro que eles devem achar-se impregnados das qualidades boas ou más dos pensamentos que os fazem vibrar. Desta forma, os maus pensamentos corrompem os Fluidos Espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável. Os fluidos projetados por Espíritos inferiores, são, portanto, passíveis de viciações.

Por outro lado, os fluidos emanados pêlos Espíritos bons, podem sanear, harmonizar os ambiente e trazer muito conforto.

Imprescindível também o registro de que, os pensamentos dos encarnados também atuam sobre os Fluidos Espirituais, da mesma forma, viciando ou saneando-os, logo, o ensinamento de Jesus a respeito da vigilância (Vigiai e orai), se emprega, sobretudo, com relação aos nossos pensamentos.



Qualidade dos fluidos:

Os fluidos não possuem qualidades "sui generis", mas as que adquirem no meio onde se elaboram; modificam-se pêlos eflúvios desse meio, como o ar pelas exalações, a água pêlos sais das camadas que atravessa. Conforme as circunstâncias, suas qualidades são, como as da água e do ar, temporárias ou permanentes, o que os torna muito especiais à produção de tais ou tais efeitos.

Também carecem de denominações particulares. Como os odores, eles são designados pelas suas propriedades, seus efeitos e tipos originais. Observamos porém, que ao dizer-se que tal fluido é bom ou mau, estamos nos referindo ao "produto final" e não à sua generalidade, pois o Fluido Cósmico é puro, sendo suas derivações o produto das "manipulações", em níveis e padrões variados.


Ä Qualidade dos Fluidos sob o Ponto de Vista Moral:

Sob o ponto de vista moral, trazem o cunho dos sentimentos de ódio, inveja, de ciúme, de orgulho, de egoísmo, de violência, de hipocrisia, de bondade, de benevolência, de amor, de caridade, de doçura, etc.



Qualidade dos Fluidos sob o Ponto de Vista Físico:

Sob o aspecto físico, são excitantes, calmantes, penetrantes, adstringentes, irritantes, dulcificantes, suporíficos, narcóticos, tóxicos, reparadores, expulsivos; tornam-se força de transmissão, de propulsão, etc.

O quadro dos fluidos seria, pois, o de todas as paixões, das virtudes e dos vícios da humanidade e das propriedades da matéria, correspondentes aos efeitos que eles produzem.



Correlação entre o Perispírito dos Encarnados e os Fluidos Espirituais:

Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos Fluidos Espirituais, eles o assimilam com facilidade, como por exemplo, uma esponja se embebe de um líquido. Conforme a expansão ou irradiação do perispírito do encarnado, maior a ação dos fluidos sobre ele.

Atuando os fluidos sobre o perispírito, este, ao seu turno, reage sobre o organismo material, com que se acha em contato molecular. Logo, se os eflúvios são de boa natureza, o corpo recebe uma impressão salutar; se, por outro lado, são maus, a impressão é penosa para o corpo.

Se são permanentes e energéticos, os eflúvios maus podem ocasionar desordens físicas - não sendo outra, senão esta, a causa de certas enfermidades.

O encarnado absorve pêlos poros perispiríticos os fluidos emanados.

Uma assembléia é um foco de irradiação de pensamentos diversos. Nessas reuniões há uma multiplicidade de correntes e de eflúvios cuja impressão cada um recebe pelo sentido espiritual. Logo, ressalta-se a importância em se procurar reuniões homogêneas e simpáticas, onde se pode haurir novas forças morais e se recuperar das perdas fluídicas que sofremos todos os dias.



Fluidos, Energias e suas relações com o Perispírito:


Fluidos:

Denomina-se fluidos as emanações energéticas trabalhadas em um processo orgânico ou perispiritual. São energias, que recebem essa denominação especial, como por exemplo o "fluido vital", que também poderia ser denominado "energia vital. São mais próximos a matéria palpável.


Energias:

São as emanações não materiais, no campo vibratório, derivadas de atividades do pensamento ou de fenômenos vibratórios inerentes a estrutura da matéria e suas propriedades (ex.: luz solar, pensamentos, etc.)


Relações entre Fluidos, Energias e Perispírito:

Em existindo o Espírito, existirá também o perispírito. Um não existe sem o outro. O perispírito é semimaterial, constituído de um complexo de energias e fluidos, estruturando um "corpo" para o espírito. Pode ser comparado como uma matéria muito sutil que envolve o Espírito. O perispírito tem a função de dar limite e relação ao espírito, permitindo a interação deste com a parte "material" da natureza. As energias e fluidos constituintes do perispírito são oriundos da metabolização das energias e fluidos do local onde está o Espírito, ou seja, o perispírito está sempre "ajustado" ao meio onde se encontra o espírito. O perispírito, no seu componente energético "transita" nos planos ou dimensões material e espiritual, sendo o elemento de "ajuste" ou "interligação" entre os dois planos. Como "pertence" simultaneamente aos dois planos, sujeita-se, ao mesmo tempo, às Leis "físicas" características de cada uma dessa dimensões.

A matéria que constitui o perispírito possui propriedades especiais, entre as quais a de ser manipulada, de maneira consciente ou automática pelo próprio espírito. A matéria do perispírito é flexível, expansível, compressível, interage com o F.C.U. – Fluido Cósmico Universal e pode absorver e fundir-se com outras formas de energia e de matéria, pela ação do pensamento e da vontade. Utilizando-se da matéria do perispírito e combinado esta com outras formas de energia e fluidos, o Espírito pode agir sobre a própria matéria.

O perispírito no encarnado, embora mais limitado pela presença da energia vital e pela ligação com o corpo físico, conserva afinidade e semelhança com o perispírito dos desencarnados. Também é expansível, compressível, flexível, apenas em grau menor que o do desencarnado. Todos os fenômenos de intercâmbio ou de interação entre o plano material e o plano espiritual exigem a participação dos perispíritos do espírito e de um encarnado, e da interação com outras formas de energia ou de outros perispíritos.

O espírito, através do perispírito, assimila energias das mais diversas, de acordo com seu estado de maior ou menor equilíbrio, físico e espiritual. O Perispírito então metaboliza essas energias nos centros de força e as distribui em nosso organismo. Essas energias se manifestam em nossa aura, formando nosso "hálito mental". O hálito mental caracteriza as energias e fluidos que emitimos ao nosso redor, transmitindo sensações e impressões decorrentes de sua "qualidade".


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BIBLIOGRAFIA


A Gênese – Allan Kardec. Cap. XIV – Os Fluidos.

O Livro dos Espíritos – Allan Kardec. Perguntas 27 e 427.

O Livro dos Médiuns – Allan Kardec. Perguntas 74 e 98.

No Invisível – Cap. XV. – Léon Denis.páginas 175 à 185.

A Alma é Imortal – Gabriel Delanne - 3.ª parte, cap. III páginas 226, 232, 284, 289.

Evolução em Dois Mundos – Páginas 19 e 95.

Depois da Morte – Léon Denis. Páginas 51, 52, 153 e 207

Mecanismos da Mediunidade – André Luiz – psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. Páginas 35 e 158.

Apostila do COEM – Centro de Orientação e Educação Mediúnica - 20.ª Sessão Teórica - Centro Espírita Luz Eterna.

O Passe – Jacob de Melo. Cap. IV, 1. Fluidos, páginas 53 à 69.

Pesquisa complementar e Transparências (Power Point) – Carlos Parchen , do Centro Espírita Luz Eterna

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